sexta-feira, 31 de agosto de 2012

É A DISKETE!

É A DISKETE!

...um dia, quando abriu o Centro Comercial Colombo, eu, o Jorge e o nosso amigo e músico Gonçalo Falcão, fomos lá para fazer uma visita; iamos andando e de repente vimos uma loja de instrumentos musicais, assim pró chique e logo na entrada, tinha um enorme sintetizador da Korg; entramos e eu e o Gonçalo fomos logo para o sintetizador, sob o olhar pidesco do empregado que estava ao balcão (cá em Portugal é ou era assim, nas lojas de instrumentos); comecei a olhr para o sintetizador com centenas de botões, e vi um que dizia "Caravan" e pressionei-o; começou a tocar uma versão do Caravan de Duke Ellington e Juan Tizol; e era fantástico; e o Gonçalo também carregava em alguns botões e fazíamos breacks; alterações de instrumentos; tímbres; acelerávamos e atrásavamos o ritmo; mudávamos de tonalidade; e o Jorge ia olhando atrás parado e a pensar "Mas isto é o instrumento ideal para mim"; de repente, chegou-se à frente e disse "Agora deixem-me ver eu"; e, no meio daquela centena de botões, carregou num, e o som frizou; ficou a dar uma só nota muito alta, aguda, contínua; eu e o Gonçalo começamos logo a sair da loja a rirmo-nos, enquanto o Jorge, olhava para o empregado que já se tinha levantado da cadeira atrás do balcão e dirigia-se para o sintetizador; e o Jorge começa a sair a fugir, e a dizer para o Gonçalo "Sabe Gonçalo... É a diskete", e fazia um gesto com o dedo indicador a andar à roda...

LOOK EVAN: A STONE!

LOOK EVAN: A STONE!

...os Telectu sempre tocaram com os maiores nomes da música improvisada; entre eles destaca-se o Evan Parker; quando veio tocar connosco, pediu que queria provar um prato típico português; então pensamos em levá-lo ao Saraiva em Nafarros, para comer um cozido à portuguesa; como nem eu, nem o Jorge tinhamos carta, pedimos ao amigo e músico, Gonçalo Falcão, para o levarmos; era um sábado solarengo de manhã; eu ia à frente ao lado do Gonçalo e o Jorge atrás com o Evan; partimos; pouco tempo depois ouve-se o Jorge a dizer para nós: "Então não falam com ele?"; e eu dizia: "Está um dia bonito... Deixa-o usufruir da vista"; mais um minuto de silêncio e o Jorge: "Ó Gonçalo, diga qualquer coisa ao homem!!!"; o Gonçalo ria-se e dizia: "Tanha calma Jorge... Está tudo bem"; passados mais uns 5 minutos: "Ai não falam com ele é? Ele vai pensar que nós somos atrasados mentais"; de referir, que durante todo eswte período, estamos a falar entre nós em português; ou seja: o Evan só via um gajo a dirigir-se zangado a nós os dois algo do tipo: "Vrum tak zthng rchin"; e nós lá iamos dizendo ao Jorge para relaxar; Mas o Jorge insistia: "Eu nunca vi... Um gajo que tocou com o Lacy... E vocês parecem xonés"; e nós já a morrer de riso (também da ervita que tinhamos fumado antes de partir); muito mais tarde, depois de termos já passado Sintra, e já quase a chegar, e numa zona muito feia já perto do restaurante, diz o Jorge para nós: "Bem... vpcês não falam, falo eu"; e vira-se para o Evan e diz-lhe, enquanto apontava para uma pedra vulgar num campo sujo de terra: "Look Evan"... E o Evan "Yes?"; e o Jorge: "Look Evan: a stone!"... E o pobre do Evan olhava a tentar perceber olhando para uma pedra na terra suja, e dizia a tentar fazer que entendia: "ohhhhhhh...Yes... I see..."...

PALACETE & ERVA

PALACETE & ERVA


...eu já fumei em todo lado erva; até na assembleia da república; um dia fui convidado e a Ilda Teresa Castro pelo nosso grande amigo e maior escultor, o Rui Chafes, para um jantar num palacete, e com ilustres convidados: atistas plásticos, cineastas, músicos e políticos; entre esses, estava o Guterres; jantamos e eu apateceu-me uma ervita; saí por uma das portas e o corredor estava vazio; acendi
o charro; nesse preciso momento (iam servir a sobremesa), abriram-se todas as portas ao mesmo tempo, e fiquei ali com o charro na mão e uma fumarada, e todos a olharem para mim; e o Rui Chafes vem com o Guterres para mo apresentar; e eu, com o charro na mão esquerda atrás das costas e a cumprimentar o gajo com a mão direita, e o fumo a sair pelas minhas costas...

MUITA HUMIDADE!

 MUITA HUMIDADE!


...um dia, eu e o Jorge, tínhamos uma reunião na Gulbenkian-ACARTE, com a Drª Madalena Azeredo Perdigão, uma grande Senhora e de uma cultura enorme; fomos levados ao seu escritório, cumprimentou-nos e perguntou se queriamos algo; respondemos que não (o JLB tinha estado a comer rissóis, chamuças e bolos de bacalhau, com um copo de vinho tinto logo ao pequeno almoço); fomos falando sobre uma proposta de um Festival de Música Improvisada, até que de repente a Drª diz: "Esperem aí que vou buscar a minha agenda, para agendarmos as datas do Festival"; nesse momento que o JLB percebeu que ela saiu de vista, mandou um grande peido; mas de repente, ela volta para trás, e diz: "Afinal a agenda está aqui na secretária"; e senta-se de novo; nesse momento, um cheiro náuseabundo invadia toda a sala; o Jorge diz: "Está aqui um cheiro estranho não acha Srª Drª?"; e ela: "Muito estranho mesmo, nunca vi nada assim"; e diz o Jorge: "Creio que deve ter a ver com o cheiro a mofo destes quadros antigos"; e ela diz: "Mas esses quadros estão aí há décadas": e diz o Jorge: "Mas hoje está muita humidade"...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

CAGUEI-ME TODO!

 CAGUEI-ME TODO!

...um dia o Jorge Lima Barreto, decidiu convidar para jantarem connosco, o grande jornalista Afonso Praça e o maior divulgador do Jazz, o Villas Boas; o nosso amigo pintor Palolo, também lá estava; iamos comer cabrito e enchidos de Vinhais; estávamos todos já à mesa a comer, quando tocaram à campaínha e o Jorge foi atender; nós continuamos na cozinha; quem tinha tocado à campainha era um amigo do Palolo e nosso, que era polícia (PSP) e que nos arranjava erva e haxe que apreendia aos putos, e os deixava ir sem os prender, mas ficáva-lhes com o stuff; então o Jorge teve uma ideia e disse ao polícia amigo: "Olha: lá dentro estão dois amigos nossos, e quero que tu dentro de 10 minutos entres na cozinha com a pistola na mão e assusta-os"; e voltou para a cozinha e disse que era engano; continuamos a comer até que de repente surge o bófia com a pistola na mão no momento em que o Jorge estava a fumar uma erva; e o Villas e o Praça olham para o bófia e nem querem acreditar; e o polícia diz virando-se para o Jorge: "O que é que o Senhor está a fumar?"; e logo o Villas Boas se levanta e diz: "Eu só vim aqui porque fui convidado e é a primeira vez que aqui venho e não sei o que é aquilo"; o polícia avança para o Jorge, pega no charro e começa a fumar; nós começamo-nos todos a rir para espanto geral dos nossos convidados; depois lá explicamos tudo; todos se riram; e diz o Villas: "Vocês desculpem-me, mas preciso de ir já à casa-de-banho, pois caguei-me todo"...

O GATO & O DRONE

 O GATO & O DRONE


...um dia eu e a Ilda fomos ao supermercado às Amoreiras; e eu tinha estado a gravar em casa no meu estúdio na Rua de São Marçal; cortei o volume do microfone, mas deixei a mesa de mistura ligada; e fomos; devemos ter demorado aí uma meia-hora, quarenta e cinco minutos; regressamos de táxi; quando saímos do táxi ouvi um som: um drone grave; e eu disse "Hey pá: hoje há vizinhos a ouvir música muito
avançada"; e, quando abri a porta de baixo do apartamento (eu vivia num segundo andar), reparo que afinal a música vem de dentro da minha casa; ainda a pensar quais dos vizinhos poderia estar a ouvir uma música tão avançada (moravam lá dois velhos que viriam a morrer pouco tempo depois, e um casal com um filho que ouviam era Tony Carreira); quando cheguei ao meu andar, vi a velha com as mãos na cabeça e, percebia-se pela boca, que estaria a gritar; mas nada se ouvia tal era o volume intenso do som (drone=som contínuo grave - neste caso); abri rapidamente a porta e entrei e reparei que o som vinha da minha aparelhagem: um dos gatos teria pisado no botão do micro e teria-o ligado e provocou um feedback; desliguei o botão e ficou um silêncio, só cortado por um grito angustiante da velha vizinha; ela não conseguia dizer nada além de gritar e ter as mãos na cabeça e eu ia a fechar a porta delicadamente, quando ela diz algo como: "Já chamei a polícia e os bombeiros"; fechei a porta, em total silêncio e ouço um carro da polícia lá fora; vou à janela e vejo sairem dois polícias e uma mulher polícia; tocam à minha campaínha e eu abro a porta; eles sobem e vão até ao meu andar e eu abro a porta; eles cumprimentam-me e dizem: "Cremos que terá havido aqui um problema com música alto"; e eu, com a velha a olhar para mim com ar de torturada, digo: "Pois senhores polícias, o que se passou foi que eu e a minha companheira fomos ao supermercado, e um dos meus gatos, pisou o botão do input, activando o microfone omnidireccional, fazendo causar um feedback que se transformou num drone de altura grave, e que provocou temporariamente, som"; eles, olham uns para os outros sem terem percebido patavina do que eu disse, e a mulher polícia diz-me: "Foi então um gato?"; e eu respondi "Sim"; de repente, desce as escadas o velho vizinho de cima e diz-me "O Senhor tem de dizer a verdade! Era um som horrível que fazia vibrar o prédio todo"; e a mulher chorava e gritava a confirmar as palavras do marido; e eu disse: "Mas foi o que eu acabei de dizer: o meu gato pisou inadvertidamente o botão do imput, activando o microfone omnidireccional, fazendo causar um feedback que se transformou num drone de altura grave, e que provocou temporariamente, som"; e o velho dizia "Mas qual drone qual carapuça! Aquilo era um som infernal!"; e eu repetia a história do gato e do drone; de repente um dos polícias, olha para os outros com um ar tipo: "Estes velhos são xonés, e deve ter havido um ruído qualquer e eles passaram-se e isto não é culpa deste senhor tão simpático e educado", e diz: "Bom, já está tudo resolvido e portanto vamos embora e tenha mais cuidado com o seu gato"; eu digo que sim e despeço-me sob o olhar espantado dos velhos que já nada conseguiam dizer; fecho a porta e vou para a janela da varanda e ouço os bófias a sairem a rir e a dizerem algo como "Percebeste alguma coisa do que o gajo dizia?"...

RAIOS LASER

 RAIOS LASER


...um dia, já há alguns anos, resolvi plantar uma ervita indoor no meu pequeno apartamento na Rua de São Marçal em Lisboa; meti os vasos juntos a uma pequena varanda; o gajo que foi lá a casa ajudar-me (era da Loja da Maria), disse-me: "E agora ligas as luzes 12 horas por dia e daqui a uns 3 meses já tens a erva"; e eu perguntei-lhe: "E se deixar 24 horas ligado?"; e ele: "Bom, assim gastas mais energia, mas tens a erva mais cedo"; assim fiz: 24 horas ligadas as luzes; as luzes eram fortíssimas! Eram tipo luzes de aeroporto! Um dia de Verão saí à noite; e quando estou a regressar a casa, vou a subir a minha rua e olho para o cimo da rua, e vejo um raio laser; e penso: "Olha que engraçado: deve haver ali uma festa"; e continuei a andar; conforme me ia aproximando, reparei que a luz era mesmo perto de minha casa; quando já estava mesmo perto de casa, reparo que o "raio laser", era nada mais, nada menos que as luzes da erva, que saíam por uma minúscula frincha da janela do meu apartamento, que um dos meus gatos abriu, ou tentou abrir...